GEOGRAFIA E GEOLOGIA
A Reserva Natural das Ilhas Desertas tem uma área total de 12586 hectares, é delimitada pela batimétrica dos 100 metros e inclui todas as ilhas e ilhéus. Através do estatuto de proteção total são resguardados os ecossistemas de toda a área terrestre (Ilhéu Chão, Deserta Grande, Bugio e ilhéus adjacentes) e toda a área marinha adjacente, localizada a sul da Ponta da Doca a Oeste e da Ponta da Fajã Grande a este. Toda a área marinha adjacente, a norte dos locais anteriormente mencionados integra uma área de proteção parcial.
Estas receberam o Diploma Europeu do Conselho da Europa para as áreas Protegidas em março de 2014, e compreendem três ilhas: Ilhéu Chão, Deserta Grande e Bugio.
O Ilhéu Chão é a mais pequena e apresenta a forma de planalto com uma altitude quase constante de 80 metros, atingindo uma máxima de 98 metros no extremo norte, onde existe um Farol. A norte, encontra-se um ilhéu com 50 metros de altitude, denominado de Farilhão. Tem aproximadamente 1600 metros de comprimento e 500 metros de largura.

A Deserta Grande, de forma alongada, é a maior e mais alta das três ilhas e desenvolve-se numa extensão de 11700 metros desde a Ponta da Castanheira a norte, até à Ponta do Tabaqueiro, a sul, com uma largura máxima de 1900 metros, atingindo uma altitude máxima de 479 metros. Ao longo da costa encontram-se inúmeras grutas escavadas na rocha, praias de pequenas dimensões e algumas fajãs. As de maior dimensão são a Fajã Grande e a Fajã da Doca que resultaram de desabamentos simultâneos de terras, a oeste e a este, ocorridos em 1894.
O Bugio é comprido e estreito e tem a forma de um arco. É a mais acidentada e recortada das ilhas,estendendo-se ao longo de 7500 metros de comprimento desde a Ponta do Cágado, a Norte, à Ponta da Agulha, a Sul, com uma largura máxima de 700 metros. A altitude máxima é de 388 metros.
Estas estão dispostas no prolongamento da Ponta de São Lourenço, extremo este da Ilha da Madeira, a uma distancia desta 12 milhas náuticas e do Funchal 22 milhas náuticas, sendo o acesso efectuado por mar, permitido apenas com estatuto de proteção total quando devidamente autorizado e credenciado pelas
autoridades competentes.
As Ilhas Desertas são de origem vulcânica e formaram-se há cerca de 3,5 milhões de anos, fazendo parte do mesmo edifício vulcânico que deu origem à Ilha da Madeira, facto corroborado pela isobata dos 100 metros, que quase liga a Ponta de São Lourenço às Ilhas Desertas. Outrora formaram uma única ilha resultante de um só vulcão, depois de cessada a actividade vulcânica, a erosão e o clima levaram à formação do seu actual aspecto.
Na sua constituição predominam as formações basálticas, os tufos e as escórias vulcânicas. O aspecto orográfico é consequência da sua constituição geológica e da permanente acção erosiva pelo vento e pelo mar.
HISTORIA
Apesar de terem sido referenciadas ainda no séc. XIV e já com a atual designação, a nivel oficial as Ilhas Desertas foram descobertas em 1420 pelos Portugueses, aquando do descobrimento oficial da Ilha da Madeira.
Várias vezes alvo de tentativas de colonização, mas, devido ao seu caráter arido e á falta de água, estas nunca permitiram ser habitadas.
No entanto, sabe-se que, no final do século XVI, ficavam permanentemente na Deserta Grande, oito homens e um feitor que semeavam trigo e cevada para manter pastos para o gado. Desse tempo ainda restam uma eira em perfeito estado de conservação e alguns muros de pedra.
Também era costume, as pessoas da Ilha da Madeira irem à Deserta Grande e ao Bugio para recolherem urzela Roccella canariensis, um líquen que cresce nas escarpas, muito utilizado na altura para tingir tecidos de cor violeta e barrilha Mesembryanthemum crystallinum, M. nodiflorum, utilizada no fabrico de sabão, o que constituía uma ótima fonte de rendimento.
Durante a Segunda Guerra Mundial, construíu-se um acesso ao topo da Deserta Grande, onde foram instalados quatro postos de vigia para controlo das embarcações na zona. Vigias, posteriormente utilizadas pelos caçadores de baleias para o avistamento destes animais.
Em 1959 e 1961, foram construídos os faróis do Ilhéu Chão e do Bugio, respectivamente. Em 2003, foi colocado no Bugio um pequeno farol automático em substituição do antigo farol, demolido devido ao seu estado precário de manutenção.

A primeira casa da Doca foi construída em 1988 e posteriormente substituída por outra em 2005 numa nova localização, devido ao perigo de desprendimento de rocha.
FAUNA
A Reserva das Ilhas Desertas dispõe de várias espécies raras e endémicas, mas o objetivo principal era preservar foi uma pequena colónia de foca-monge do Mediterrâneo, vulgarmente conhecida como lobo-marinho, o que motivou a proteção desta área.
A fauna marinha das Ilhas Desertas é semelhante à do resto do arquipélago, com afinidades europeias e mediterrânicas, sobretudo a nível dos peixes e crustáceos do litoral. Também podem ser oservadas várias espécies de tartarugas como de cetáceos nas águas destas Ilhas.
Este espaço é também um importante centro de nidificação de aves marinhas, como a cagarra Calonectris borealis, roque-de-castro Hydrobates castro, a alma-negra Bulweria bulwerii, e freira-do-bugio Pterodroma deserta, todas elas espécies inerentemente vulneráveis para as quais as Ilhas Desertas representam um dos últimos refúgios no mundo.





As aves residentes podem ser encontradas durante todo o ano, com destaque para o corre-caminhos Anthus berthelotii madeirensis, subespécie endémica do Arquipélago da Madeira e o canário-da-terra Serinus canaria canaria, subespécie endémica da Macaronésia. São obsecagarra Calonectris borealisrvadas igualmente rapinas, como o francelho Falco tinnunculus canariensis, subespécie endémica da Macaronésia, manta Buteo buteo harterti e a coruja-das-torres Tyto alba schmitzi, subespécies endémicas do Arquipélago da Madeira.
Outro grupo de animais de grande interesse são os invertebrados. No grupo dos artrópodes, salienta-se a tarântula-das-desertas Hogna ingens, um endemismo destas Ilhas. Um aracnídeo com uma área de distribuição muito restrita, pois habita apenas o Vale da Castanheira, no extremo norte do topo da Deserta Grande.
O conhecimento da fauna malacológica destas Ilhas é ainda pouco profundo, no entanto, alguns estudos confirmam a presença de cerca de 50 espécies e subespécies de moluscos terrestres para as Ilhas Desertas, 44 dos quais endémicos e alguns deles exclusivos.
A lagartixa Teira dugesii mauli é o único réptil terrestre que habita estas ilhas, sendo uma subespécie endémica das Ilhas Desertas.
FLORA
Esta Reserva apresenta uma grande diversidade de plantas muito peculiar e rica em plantas específicas da Macaronésia, com exclusividades madeirenses. A flora vascular é constituída por cerca de 200 espécies indígenas e naturalizadas, 30% endemismos da Madeira e 10% restritas à Macaronésia.
A Deserta Grande é a ilha que contempla maior diversidade de habitats e plantas, e detém dois endemismos exclusivos, a Couve-da-rocha Sinapidendron sempervivifolium e a Musschia isambertoi. A hepática Frullania sergiae é endémica das Desertas e do Porto Santo.
Os primeiros estudos sobre a vegetação das Desertas remontam a 1868 e definem duas zonas de vegetação. A 1ª Zona, designada por marítima, vai desde o nível do mar até aos 360 m de altitude, nas três ilhas. Esta vegetação caracteriza-se pela presença de plantas indígenas, tais como a Cenoura-da-rocha Monizia edulis, o Goivo-da-rocha Matthiola maderensis e a vaqueira Calendula maderensis. A 2ª Zona, designada por montanhosa, vai desde os 300 m até aos 480 m de altitude, na Deserta Grande e Bugio, cuja vegetação se caracteriza pela presença de plantas indígenas, tais como, Lotus argyrodes, a estreleira Argyranthemum haematomma e Trifolium angustifolium. As Ilhas Desertas apresentam potencialmente duas comunidades florestais, o Zambujal (Olea maderensis-Maytenetum umbellatae) e a Laurissilva do Barbusano (Semeleandrogynae-Apollonietum barbujanae).
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