quinta-feira, 19 de maio de 2016

ILHAS SELVAGENS

GEOGRAFIA A Reserva Natural das Ilhas Selvagens tem uma área total de 9455 hectares. Geograficamente, as ilhas situam-se a cerca de 163 milhas, a Sul da Madeira e a cerca de 82 milhas, a Norte de Canárias, tendo as seguintes coordenadas: 30°01'35" - 30°09'10" N / 15°52'15" - 16°03'15" W. Este arquipélago é constituído por dois grupos de ilhas e ilhéus, separados à distância de cerca de 11 milhas, entre as profundidades das batimétricas: 423 m, 323 m e 351 m,), e dispõe-se no sentido NE-SW. O grupo setentrional (NE) é constituído pela Selvagem Grande e dois Ilhéus adjacentes (o Palheiro da Terra e o Palheiro do Mar), e o grupo meridional situado a SW do anterior, é constituído pela Selvagem Pequena, conhecida por Pitão Grande, e Ilhéu de Fora, também conhecida por Pitão Pequeno, e os Ilhéus adjacentes a estas: Ilhéu Grande, Ilhéu do Sul, Ilhéu Pequeno, Ilhéu Alto, Ilhéu Comprido, Ilhéu Redondo e os Ilhéus do Norte. Estes dispostos em "arco", se assim se pode descrever, estão separados por um estreito braço de mar de baixas profundidades.
As Selvagens, têm cerca de 27 milhões de anos e são datadas geocronologicamente da época do Oligocénico, do período Paleogénico (Terciário). Este grupo de ilhas e ilhéus e afloramentos rochosos constitui a parte imergida de um edifício vulcânico, pertencente ao “Hotspot de Canárias”, cuja base se encontra aproximadamente entre as batimétricas dos 3.000 e dos 4.000 metros de profundidade e que se foram construindo com as sucessivas erupções submarinas naquela área do Atlântico, sendo “aplanadas” pela erosão e sedimentação marinha. Ha quem diga que estas estão geologicamente mais próximas das Ilhas Canárias do que do restante Arquipélago da Madeira e que os três ilhéus principais das Selvagens se encontram todos eles rodeados por recifes ou baixios maiores ou menores, alguns só visíveis na maré baixa. Estas, no seu conjunto têm uma área total de 281 ha de área terrestre. HISTORIA Defende-se que a descoberta das Selvagens (à volta de 1438) se deve a Diogo Gomes, navegador, moço de câmara do infante D. Henrique e mais tarde almoxarife do Paço de Sintra. Constatou-se logo que estas eram estéreis, inabitadas, sem arvores nem agua corrente, mas tinham muita urzela, uma erva que tinge os tecidos de vermelho. Planta, que alguns dos tripulantes pediram ao infante D Henrique para levar para a Inglaterra e Flandres, onde é muito valorizada. O infante autorizou, desde que recebesse a quinta parte dos lucros, tendo mandado ainda colocar cabras nas ilhas. FAUNA A fauna vertebrada das Ilhas Selvagens é caracterizada pelo forte domínio das aves marinhas nidificantes e pela ausência de mamíferos nativos. Estas ilhas são um santuário de nidificação de aves marinhas e têm condições singulares e únicas no mundo. Das aves nidificante conhecem-se nove espécies, entre as quais a cagarra Calonectris borealis, calcamar Pelagodroma marina hypoleuca, alma-negra Bulweria bulwerii, roque-de-castro Hydrobates castro e pintainho Puffinus lherminieri baroli. A colónia de cagarras, nesta área, apresenta-se com a maior densidade em todo o mundo. Contudo, a ave mais numerosa destas ilhas é o calcamar.
As aves residentes que podem ser encontradas durante todo o ano nas Selvagens são o corre-caminhos Anthus bertheloti bertheloti ( um passariforme cuja subespécie é a mesma que se encontra nas Ilhas Canárias mas não no Arquipélago da Madeira), e um pequeno número de casais de francelhos Falco tinnunculus canariensis, uma rapina de pequeno porte cuja subespécie é endémica do Arquipélago da Madeira. Também poderão ser observadas outras aves que, ocasionalmente, visitam as Ilhas, sobretudo durante o outono e a primavera. São aves que se perdem das rotas migratórias e que aqui encontram o sítio ideal para descansar e recuperar forças, para continuar a viagem. As outras espécies de vertebrados são a osga Tarentola bischoffi e a lagartixa Teira dugesii selvagensis,ocorrem exclusivamente nas Ilhas Selvagens. Nestas ilhas, também podemos encontrar um apreciável número de invertebrados, com um elevado número de insectos endémicos, sobretudo coleópteros e lepidópteros. Nos gastrópodes terrestres temos atualmente oito espécies dadas para as Selvagens, sendo uma endémica da Macaronésia, Ovatella aequalis e uma endémica das Ilhas Selvagens, Theba macandrewiana. O meio marinho destas ilhas fica caraterizado pelas suas águas límpidas, que guardam uma fauna abundante e diversificada.
Nas zonas rochosas são frequentes os gastrópodes, como as litorinas, caramujos, cracas e lapas. Encontram-se igualmente com frequência ouriços-do-mar, sendo a espécie dominante o ouriço-de-espinhos-compridos Diadema antillarum. Junto com estes animais, coabitam várias espécies de esponjas, anémonas e estrelas-do-mar. No que se refere aos peixes, observam-se com frequência a castanheta Chromis limbata e Abudefduf luridus, taínha Liza aurata, boga Boops boops, sargo Diplodus sp., garoupa Serranus atricauda, bodião Sparisoma cretense, peixes-cão Bodianus scrofa, peixes-verde Thalassoma pavo. Várias espécies de tartarugas e de cetáceos também podem ser observadas nas águas circundantes destas Ilhas. FLORA A Reserva contem mais de uma centena de espécies de plantas vasculares e apresenta a percentagem mais elevada de endemismos por unidade de superfície de toda a Região da Macaronésia. A vegetação da Selvagem Pequena e do Ilhéu de Fora é composta somente por espécies indígenas e endémicas, sem quaisquer introduções. Estas duas ilhas apresentam uma cobertura e um número surpreendente de espécies exclusivas. A Selvagem Grande apresenta igualmente um coberto vegetal peculiar e uma interessante flora com endemismos da ilha, outros comuns às restantes Ilhas Selvagens e da Macaronésia, para além de ser o limite da distribuição de determinadas espécies no hemisfério sul ou no norte. As Ilhas Selvagens são detentoras de onze endemismos exclusivos, como a cila-da-madeira Autonoe madeirensis , estreleira Argyranthemum thalassophilum, Lobularia canariensis ssp. rosula–venti, Lotus salvagensis, Monanthes lowei e figueira-do-inferno Euphorbia anachoreta.
Para preservar este património natural, iniciou-se em 2001 um trabalho de erradicação de plantas invasora (plantas que não fazem parte da flora indígena da área e que se alastram com muita facilidade, competindo e destruindo os habitats naturais das espécies indígenas). Exemplos de espécies que estão a ser monitorizadas e controladas são a tabaqueira Nicotiana glauca e mais recentemente, a Conyza bonariensis. A flora marinha das Ilhas Selvagens apresenta semelhanças à dos arquipélagos vizinhos. A irregularidade dos fundos e a predominância de substratos rochosos, proporciona a colonização por algas fotófilas. Estudos indicam a presença de 173 espécies de macroalgas, com predominância para as algas vermelhas.

Sem comentários:

Enviar um comentário